Uma ameaça de crise com a bancada evangélica (pluripartidária), desencadeada pelo tema do aborto e por declarações sobre a necessidade de o governo conquistar o numeroso contingente de trabalhadores chamado de nova classe C, que está nas mãos dos conservadores, levou o Secretário-Geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, ao Congresso Nacional para espontaneamente dar explicações aos parlamentares religiosos.
A crise só chegou a se esboçar e foi considerada superada por deputados e senadores da própria bancada evangélica, que se considerou satisfeita com as explicações do governo. Não foi contornada, no entanto, da forma ideal.
O governo não precisava entrar nessa disputa. Estes temas - aborto, questões ideológica, homossexualidade - ainda que dividam inclusive a nossa bancada, precisam ser enfrentados não pelo governo, mas pelo PT, por suas bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais.
Temas já estão sendo explorados na campanha deste ano
Eles estão aÃ, precisam ser discutidos e, infelizmente, serão explorados na campanha eleitoral - de novo, a exemplo do que ocorreu em 2010. Não deveriam, já que o aborto e a homossexualidade não são temas polÃticos, são questões de foro Ãntimo, pessoais, e de gênero.
Mas, já estão sendo explorados diariamente, pelos nossos adversários, na questão do aborto com crÃticas à nova ministra de PolÃticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci; e na da homossexualidade, com a história que a imprensa chama de kit gay (um material de esclarecimentos elaborado pelo MEC) contra o nosso candidato a prefeito de São Paulo este ano, o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.
São questões polêmicas que a nova direita, para fugir do embate ideológico, converteu em suas bandeiras e agora empunha com amplo espaço na imprensa. No dia a dia, nos jornais; na semana, nas revistas. À frente a VEJA, lÃder na vanguarda do atraso. As posições de VEJA hoje sobre comportamento só se comparam com as da direita norte-americana do Tea Party e Cia.
Debater sem patrulhamento e com respeito ao caráter laico do Estado
Vamos ao combate e ao debate, então - o partido, não o governo. Cabe aos que no PT, no Parlamento e na sociedade defendem o fim do preconceito e da violência contra os homossexuais, o direito da mulher decidir sobre seu corpo, e que o aborto tem que ter um tratamento como questão de saúde pública, travar essa batalha.
Podemos, devemos fazê-lo, e temos todas as condições de encarar essa disputa polÃtica e abrir este debate. E de promovê-lo respeitando as posições e opiniões divergentes, mas sem aceitar o patrulhamento e nenhum ato restritivo das liberdades individuais e do caráter laico do Estado brasileiro.
Com informação: www.zedirceu.com.br/Foto:









